10 de nov de 2009

Zagallo

DEPOIMENTO:

"Zagallo é muito zeloso quando se refere à sua carreira de técnico. Curiosamente, não trata a sua passagem como jogador da mesma maneira. Foi um grande jogador, um dos maiores.

Acompanhei o Zagallo-jogador desde quando jogava nos aspirantes do Flamengo. Era um dribladorzinho, do drible chato, curtinho, desmoralizante. A torcida gostava, mas dali não saía nada. Então, chegou Fleitas Solich à Gávea. Viu em Zagallo um jovem com outras possibilidades além dos dribles chatos, desmoralizantes, curtinhos. Toda vez que Zagallo fazia isso, Solich apitava e corrigia. Até que Zagallo passou a ser um jogador solidário, alma do time que chegou ao tricampeonato carioca em 1955.

Levou o seu jeito de jogar para a Copa da Suécia. No tempo em que o ponta-esquerda era um atacante agressivo (Pepe, o “Canhão da Vila”, e Canhoteiro, o entortador, eram os seus rivais), Zagallo introduziu no terreno o ponta-esquerda estilo formiguinha: ajudava na defesa, participava da armação do time e, ainda, ia chatear o adversário no campo dele.

Em 1962, esteve perfeito. O jornalista inglês Brian Glanville afirmou que aquela Copa, chamada a “Copa de Garrincha”, bem que poderia ser também a Copa de Zagallo. O francês Jean-Philippe Rétacker considerou Zagallo e o tcheco Masopust como os jogadores mais inteligentes da Copa realizada no Chile. Em 1966, sem Zagallo, o Brasil retrocedeu taticamente e voltou a jogar no 4-2-4. Zagallo fez a diferença
."

(Ivan Soter, autor de "Enciclopédia da Seleção" e de "Quando a bola era redonda")


PARTIDA INESQUECÍVEL (dentro do estádio, texto de Rui Alves Gomes de Sá):


FLAMENGO TRICAMPEÃO CARIOCA (1999 - 2000 - 2001)

Petkovic comemora depois do histórico gol do tri

Passarei para vocês um dos jogos mais marcantes da minha vida. Como um bom flamenguista, guardo na memória esse Flamengo e Vasco, e aquele não foi um clássico qualquer. Era a terceira vez consecutiva que os dois times disputavam o título Estadual. Nas outras duas vezes tinha dado Flamengo e os vascaínos não estavam dispostos a perder mais essa decisão. Em tais partidas, o Vasco entrou com a vantagem de poder jogar pela igualdade de pontos devido à melhor campanha. Além disso, tecnicamente o Vasco sempre era melhor, mas no final dava Mengo. Era a raça rubro-negra imperando...

O Vasco era o atual Campeão Brasileiro (Copa João Havelange) e tinha um dos melhores times do país. Euller, Juninho Paulista e tetracampeões mundiais, como Viola e Jorginho faziam parte daquele elenco. Tinha ainda o baixinho Romário, que contundido não pôde jogar aquela decisão.

Pelo lado do Flamengo, a base era quase a mesma do Estadual anterior, com algumas mudanças. Uma delas foi o "capetinha" Edilson, que tinha chegado ao clube na última temporada e que se tornou o artilheiro daquele Carioca, desbancando Romário, e sendo decisivo na grande final ao lado do sérvio Petkovic. O goleiro Julio César também foI muito importante, fazendo defesas milagrosas.

Os 60 mil presentes na tarde daquele 27 de maio de 2001 assistiram a um jogo digno de ser uma grande final, emocionante e inesquecível. Fui com o meu filho Leonardo (na época com dez anos) nos dois jogos da final. Depois de perder a primeira partida por 2 a 1, tínhamos que vencer por dois gols de diferença para sermos campeões. Empate ou derrota por um gol de diferença davam o título ao Vasco, que tinha essa vantagem de dois resultados iguais por ter feito melhor campanha. Saímos tristes do primeiro jogo, mas como bons rubro-negros ainda acreditávamos. A torcida do Vasco saiu do primeiro jogo gritando " É... CAMPEÃO ". Nervoso, o Flamengo começou o segundo jogo pressionando, enquanto os vascaínos assustavam com perigosos contra-ataques. Numa dessas, Viola quase abriu o placar, mas Julio César fez grande defesa, e quem realmente abriu o placar foi o Flamengo. Aos 23 minutos, o lateral-esquerdo Cássio sofreu pênalti. Edilson bateu e fez 1 a 0. Só faltava mais um gol para o Flamengo ser campeão. Estávamos esperançosos...

Mas o Vasco não se deu por vencido e foi buscar o empate. Primeiro, Euller teve um gol anulado por impedimento. Depois de várias chances criadas, aos 40 minutos de jogo, Juninho Paulista deixou tudo igual após receber passe de Viola dentro da área. Ele ainda poderia ter decidido o jogo, porém Julio César mais uma vez salvou o Fla. Com o fim do primeiro tempo, o Vasco estava numa boa, podendo ainda se dar ao luxo de levar mais um gol. Mesmo assim conquistaria o título.

E o Flamengo voltou para a segunda etapa empurrado pela sua torcida, que acreditava o tempo todo na reação. Lembro-me perfeitamente que não paramos de incentivar um só momento o time. Tínhamos fé no título. Aos 8 minutos, a estrela de Petkovic começou a brilhar. Depois de boa jogada pela ponta esquerda, o sérvio cruzou na medida para Edilson cabecear e fazer 2 a 1, para o delírio da galera rubro-negra. Depois disso, foi só pressão vascaína, com Juninho Paulista batendo uma falta no travessão e com Euller driblando o goleiro e perdendo o ângulo na hora do chute. Com grandes defesas, Julio César já estava se tornando o herói daquela tarde, mas de nada adiantaria todo aquele esforço se o Flamengo não fizesse mais um gol.

Aos 43 minutos da etapa final, a torcida vascaína já comemorava o título, fazendo a festa no Maracanã. Porém, o Flamengo tinha uma falta na entrada da área a seu favor. A torcida ergue as mãos, mandando boas energias para o campo. Eu e meu filho demos as mãos e combinamos de falar juntos 1,2, 3 e gol quando da cobrança da falta. Enquanto isso, o camisa 10 se posiciona para a cobrança. "Se fosse o Zico com certeza era gol", alguem deve ter falado. Não era o Galinho de Quintino, que cobrava faltas como aquela como se fosse com as mãos, fazendo com que os goleiros pulassem em vão para pegar uma bola que era, na maioria das vezes, indefensável. Era Petkovic quem iria bater. Ele já tinha batido outras faltas durante a partida que nem incomodaram o goleiro Hélton. Mas dessa vez, como se tivesse encarnado o eterno camisa 10 rubro-negro, Petkovic chutou a bola com perfeição. Ela passou por cima da barreira e entrou bem no ângulo esquerdo do goleiro cruzmaltino, que se esticou todo, mas não conseguiu defender aquela bola que era realmente indefensável. Ouvindo depois a gravação de Luiz Penido (locutor da Rádio Tupi), não há como deixar de ficar emocionado. Confira:



O Maracanã quase foi abaixo, tamanha foi a festa em vermelho e preto, que naquele momento começava a invadir a cidade do Rio de Janeiro, durando a noite toda. Foi uma vitória inesquecível para todos os rubro-negros e, especialmente, para nós dois.

Ficha Técnica:

Local: Maracanã, Rio de Janeiro.

Data: 27/05/2001.

Árbitro: Léo Feldman (RJ).

Público: 60.038 pagantes.

Gols: Edílson (FLA) 23'/1ºT, Juninho Paulista (VAS) 40'/1ºT, Edílson (FLA) 8'/2ºT e Petkovic (FLA) 43'/2ºT.

VASCO: Helton, Clebson, Geder (Odvan), Torres e Jorginho Paulista; Fabiano Eller, Paulo Miranda, Pedrinho (Jorginho) e Juninho Paulista; Euller e Viola (Dedé). Técnico: Joel Santana.

FLAMENGO:
Júlio César, Alessandro (Maurinho), Fernando, Juan, Cássio, Leandro Ávila, Rocha, Beto (Jorginho), Petkovic, Reinaldo (Roma) e Edílson. Técnico: Zagallo.


PARTIDA INESQUECÍVEL (fora do estádio, texto de Daniel Santos):


Meu amigo Gustavinho perguntou se eu ia ao jogo. Minha resposta: "Você não foi no domingo passado e tá empolgado! O time jogou mal e os caras não se entendem! Perdemos para o Coritiba na quinta, com o time andando em campo. Não dá mais! Ganhamos dois campeonatos deles com times mais fracos. Um raio pode até cair duas vezes no mesmo lugar, mas três...NÃO VOU NÃO!!!". Como de hábito, ele deu uma resposta ríspida (estou sendo elegante) e foi embora resmungando. Horas depois, estava eu na cama, com meu walkman (sim, eles ainda existiam!), escutando a rádio Tupi e vendo a final entre Flamengo e Vasco pela TV. Falta da intermediária aos 43 do 2º tempo. O Apolinho Washington Rodrigues interrompe o Penido para dizer: "E São Judas Tadeu entra em campo". Daí em diante, eu só tenho na minha lembrança o walkman caindo no chão, as pilhas rolando pela casa e um tresloucado torcedor chorando na janela, berrando aos vascaínos do prédio da frente umas trinta vezes: "Isso é Flamengo, #%&#%#&#%#"!!!


ENTREVISTA:

A entrevista de Zagallo na verdade é um documento histórico. A história da carreira deste brasileiro se confunde com a consolidação do esporte, que já era uma mania nacional, como um verdadeiro símbolo da nação aos olhos do mundo. Zagallo jogava pelada no Derby Club e ficou feliz quando a campanha do jornalista Mário Filho foi apoiada pelo então presidente da república, o general Eurico Gaspar Dutra: um esforço nacional seria realizado para a criação do maior estádio do mundo naquele local.

Daí para frente, aquele jovem de classe média, que tinha uma carreira como representante comercial pela frente, enfrentou a oposição da família para fazer do esporte bretão a sua profissão. Sábia escolha! Porque, se em 1950, como cabo do exército, ele viu o Rio de Janeiro chorar a perda do título mundial para os uruguaios em pleno Maracanã, oito anos depois, os vizinhos da Tijuca assistiam àquele moleque franzino acabar com o "complexo de vira-latas" dos brasileiros: éramos campeões do mundo pela primeira vez! E lá estava ele, na ponta esquerda, ajudando Pelé e Garrincha a trazer a Jules Rimmet para o Brasil.

O curioso é que ele também estava lá em 1962, 1970, e em 1994. Esta lenda do futebol brasileiro recebeu com carinho e atenção esses dois profissionais, que ainda engatinham na arte de fazer perguntas. 2016? Zagallo, você já fez o suficiente pelo nosso futebol. Não é justo cobrarmos mais nada de você. Aprecie as sua lembranças e...não deixe mais o Petkovic bater faltas aos 43 do 2º tempo. Faz mal ao coração!

a) Como ocorreu a sua transferência do América para o Flamengo?
“Meu pai não queria que eu fosse jogador de futebol. Ele era sócio e conselheiro do América e a pedido da diretoria eu virei jogador. Eu era o camisa 10 do América. Mas percebi que o caminho mais curto para chegar a seleção seria a ponta esquerda (ou seja, a camisa 7).”

b) Como você viu a Copa de 1950?
“É interessante a minha relação com a Copa pois antes de o Maracanã existir eu jogava pelada no antigo Derby Club. Depois, eu estava servindo no 6° pelotão da Polícia do Exército e trabalhei na retirada das madeiras da arquibancada ao final da construção. E na final eu estva policiando o público junto à bandeira do córner no gol do Gigia, mas é claro que eu estava vendo o jogo!”

c) Como você chegou ao Flamengo?
“Devido a questões de papelada, fui para Niterói e depois de três meses me transferi para o juvenil do Flamengo em 1950”.

d) Explique a sua função tática no ataque tricampeão carioca com Joel, Moacir, Índio e Dida:
“O treinador era o Freitas Solich. Ele mudou a minha característica, pois eu gostava muito de driblar. Nos treinos ele marcava falta contra o meu time quando eu driblava e me obrigava a marcar. Dizia: ‘Drible quando necessário, tem a hora certa do drible’. Naquele time, então, eu fazia uma dupla função.”

e) Você concorda que Dida foi maior que Zico?
“O Dida era muito bom, mas Zico era diferente, era mais completo!”

f) Duas décadas antes do europeu Bossman, você obteve o passe livre. De que forma isso foi feito?
“Isso aconteceu em 1951. Eu exigi! Meu pai era representante de uma firma de Alagoas no Rio de Janeiro (por isso eu vim para cá), tinha uma boa condição e amparou o meu pedido. Quando fui assinar o contrato com o Flamengo, eu pedi o passe e a diretoria (o presidente era o Gilberto Cardoso) tentou me enganar. Mas eu consegui estipular o passe em 30 mil réis. Como a diretoria do Flamengo não deu o emprego na Caixa Econômica que tinha pedido, após a Copa de 1958 eu comprei o meu passe”

g) Após a Copa de 1958, você se transfere para o Botafogo com status de estrela. Como foi esta transferência?
“Era um contrato de 3 milhões de réis. A diretoria do Flamengo tentou me convencer e eu disse para eles cobrirem a proposta, o que eles não fizeram. O Palmeiras fez uma proposta de 5 milhões, mas como minha esposa era professora, tinha um emprego aqui no Rio de Janeiro, eu preferi ficar no Botafogo.”

h) Você foi ganhando mais que o Garrincha. Isto gerou qualquer tipo de ciúmes ou comparação com o Garrincha? Como era a relação entre vocês?
“Sim, quando eu cheguei ao Botafogo existiam ciúmes de alguns jogadores devido às luvas e ao alto salário que recebi. Isso não ocorreu com o Garrincha. Ele não era dessas coisas. Minha relação com ele era ótima. Ele era uma pessoa humilde e dentro de campo era um fenômeno à parte. Era melhor estar jogando ao lado dele do que contra”.

i) Como era sua relação com a imprensa quando jogador?
“Eu sempre li tudo o que falavam. Só na época da Copa de 1958 que eu parei de ler jornal e ouvir rádio, pois estava me influenciando de forma negativa. A imprensa dizia que eu não iria para a Copa, que o Pepe estava dentro e eu fora. Mas eu sempre li tudo o que falavam de mim!”


j) Em sua opinião, qual o título mais difícil: 1958 ou 1962? Por quê?
“1962. O time estava envelhecido (o Nilton Santos, por exemplo, estava com 37 anos), não jogou o mesmo futebol, pois o condicionamento físico não era mais o mesmo, era fraco. O time se superou pela categoria dos seus jogadores. Em 1958 era um timaço, em 1962 a experiência contou muito.”

f) Como foi o final de sua carreira de jogador? Explique a transição para a função de treinador:
“O time de 1962 fez uma excursão no México. O técnico da seleção, Geninho, queria acabar com o time. Quando voltei desta viagem, a diretoria fez a proposta para que eu treinasse o time juvenil. Eu falei: ‘tudo bem, mas mantenham o meu contrato de jogador até o final’. Eram mais sete meses ganhando como jogador.”


g) Como surgiu a fixação pelo “treze”?
“Depois que eu parei de jogar, eu usava da camisa 13. Aí comecei a ganhar. A imprensa começou a badalar e aí eu gostei disso”

h) Mesmo modificando o esquema tático da seleção de 1970, a imprensa nunca deu o devido valor ao seu trabalho. Qual a sua opinião sobre isso? Você acredita em "saudades" do colega Saldanha ou a qualidade do time era tão grande que qualquer treinador ficaria em segundo plano?
“O Saldanha jogava no 4-2-4. O resultado não seria bom e por isso eu já tinha na cabeça que isso tinha que mudar. Acha o futebol de hoje já era jogado pela seleção de 1970. Fazíamos o bloqueio no meio-campo para proteger a defesa. Mudei o Rivelino para a ponta esquerda, o Tostão fazia o papel de pivô e o convívio com o Pelé desde os tempos de jogador foi fundamental para que ele produzisse bem”



i) Até hoje professores explicam que Médici convocou Dadá Maravilha. Qual a sua posição sobre isso? Em algum momento na sua trajetória na seleção você convocou jogadores cumprindo ordens superiores?
“Não existiu nenhuma influência política um presidente da república falaria com um técnico de futebol? Como o Saldanha fez uma crônica criticando o presidente por ele ter falado do Dadá e logo depois eu convoquei ele. Olha, o Dadá nem foi para o banco na Copa se eu tivesse cumprindo ordens, pelo menos pro banco ele iria, né? Eu nunca sofri interferências do João Havelange ou do Ricardo Teixeira.

j) Quais os motivos do fracasso da seleção de 1974?
“Fácil falar. Eu perdi a base da Copa de 1970 (incluindo aí o Pelé). Eu sabia que seria muito difícil. Mesmo assim o chegamos à semi-final contra aquele timaço da Holanda e o primeiro tempo foi equilibrado, tivemos chance de ganhar.”

k) Quais as suas recordações das passagens pelo Kuwait (1976-1978), Arábia Saudita (1981-1984) e seleção dos Emirados Árabes (1989-1990)?
“Fui o pioneiro. Levei o Parreira para ser meu preparador físico quando fui para o Kuwait. E o nosso triunfo abriu espaço para que outros brasileiros trabalhassem por lá”

l) Após sua carreira como treinador tricampeão mundial, o que levou você a aceitar o convite para ser auxiliar técnico do Parreira?
“Bem, isso foi idéia do Ricardo Teixeira, que inventou que dois treinadores tomassem conta da seleção. Foi uma dupla boa, eu como coordenador dava minhas opiniões e ele me ouvia como irmão. E no dia do Tetra, ele falou: ‘Você foi um pai para mim’. Isto me marcou muito!”

m) O famoso desabafo na final da Copa América de 1997 foi endereçado a quem?
“Para o Juarez Soares e para o Juca Kfouri. Eu tinha amigos na imprensa paulista e eles disseram que estes queriam me derrubar para colocar o Luxemburgo. E não foi nada premeditado. O Galvão Bueno até tomou um susto, pensando que era para ele. Depois isto tomou uma proporção até positiva. Quando eu treinava a Portuguesa, a torcida gritava: ‘I, i,i, o Zagallo vai ter que me engolir’”

n) O que você mudaria na preparação da seleção de 1998?
“No meu entender, perdemos a Copa por mérito da França. Mas a convulsão do Ronaldo afetou todo o time. O Ronaldo não estava escalado. Mas em cima da hora ele chegou com todos os exames querendo jogar, com todos os resultados positivos. E se eu não boto o Ronaldo e a seleção perde? E provavelmente perderia. Eu tive que tomar a decisão e é isso!”

q) Como foi o tricampeonato pelo Flamengo?
“Aquele gol para mim foi uma verdadeira Copa do Mundo. A torcida do Flamengo é qualquer coisa de outro mundo. Eu já tive contato com as torcidas do Fluminense e do Botafogo, mas a torcida do Flamengo é inigualável”