3 de abr de 2012

Nunes


DEPOIMENTO:

É impossível pensar em contar a história do Flamengo sem dedicar um capítulo ao João Danado. O apelido dado por Washington Rodrigues a Nunes tem tudo a ver com a determinação que o camisa nove sempre mostrou quando vestiu vermelho e preto. Uma combinação bem-sucedida de raça e vocação para o gol. Quem melhor para definir Nunes do que ele próprio e seus parceiros de time? Com a palavra, jogadores que foram mais do que coadjuvantes de Zico. 

NUNES, POR MOZER
O Nunes era o fazedor de gols. O Nunes era a comédia do nosso time. Um camarada muito puro, que não passava muito tempo com a bola nos pés, mas tinha na sua melhor virtude a finalização. Era um homem que se mexia muito, nunca tinha uma bola perdida. Trabalhava sempre a nível de movimentações sem bola, na expectativa que a bola ali entrasse pra que ele pudesse finalizar. Era um homem com um faro de gol tremendo, que só não podia baixar no terreno pra receber bola, porque tinha ódio de nunca lhe darmos a bola. (risos) Porque o negócio do Nunes era lá dentro da área. Ele, perto da área, era 100%. Quando baixava um bocadinho pra pegar a bola, pra jogar no meio-campo, aí nós tínhamos a indicação que era pra nunca lhe dar. Porque ele poderia perder a bola. Mas que foi um goleador excepcional, nos deu inúmeras, inúmeras vitórias, porque era focado naquilo que fazia, e era muito divertido também na semana a trabalhar com ele nos treinos.

NUNES, POR MARINHO
Tudo bem, a gente tinha o Zico que poderia resolver numa bola parada, mas o jogador mais importante pra mim, eu como joguei no Flamengo quase quatro anos, o Nunes foi o jogador mais importante que teve no Flamengo. Que passou, e continua sendo até hoje pelos gols que ele fez. Olha bem pra você ver os gols importantes que o Nunes fez no Flamengo. Quem decidiu a maioria dos jogos pra gente foi o Nunes. Esse é um centroavante que deveria ser reconhecido pelo resto da vida.

NUNES, POR NUNES
Eu acho que às vezes há um esquecimentozinho, entendeu? Pelo que eu represento, pelo que eu fiz pelo futebol brasileiro. Às vezes existe um esquecimentozinho. Eu vejo às vezes alguns comentaristas, alguns repórteres falarem em inúmeros jogadores que nunca fizeram nada pelo futebol brasileiro e esquecem às vezes da gente. Como esquecem de outros jogadores que têm história no futebol brasileiro. Isso às vezes é chato, né? Você saber que você contribuiu pro esporte brasileiro, você fez por onde, e às vezes têm pessoas que não dá valor. Outras reconhecem, outras não. Infelizmente, eu tenho que falar essa verdade. Mas como eu sempre recebi um elogio como uma crítica e uma crítica como um elogio, eu deixo rolar. Mas eu sei a minha importância pro futebol brasileiro. E principalmente, na história do Flamengo.
(Eduardo Monsanto)

ENTREVISTA:

1) Como o futebol apareceu como um opção na sua vida?
No início queria ser cantor e o meu pai desejava que eu fosse jogador de futebol. Uma vez fui com meu pai ver um jogo treno no interior de um time BA e, a partir daí, começou o interesse.

2) Quais os motivos da sua mudança de Feira de Santana para o Rio de Janeiro?
Eu estava na categoria Dente de Leite. Um dia o Flamengo jogou na Bahia e o Yustrich me viu jogando e eu fui indicado por Walter Miralha e Evaristo Macedo que eram treinadores de times da Bahia.

3) Como foi a contusão que o retirou da Copa de 1978?
Eu jogava no Santa Cruz, estava no auge da minha forma e era reserva do Reinaldo. Uma semana antes do início da Copa torci o tornozelo e fui cortado.

4) Fale-nos um pouco da sua passagem pelo Fluminense?
Na volta da Seleção houve um amistoso do Santa Cruz com o Fluminense. Nesse momento o Francisco Horta era o presidente., adorou meu futebol e me contratou.

5) Você teve duas passagens marcantes pelo futebol internacional (Monterey em 1979 e Boavista em 1985). Quais foram as suas maiores dificuldades nestes clubes?
O meu passe foi comprado por uma transportadora chamada Dom Vital e, com isso, fui repassado para o Mexico. Foi uma carreira bastante vitoriosa nos dois clubes que joguei.


6) Explique as negociações para a sua volta ao Flamengo em 1980.
O Claudio Coutinho ligou para mim quando estava no Monterey e perguntou se eu queria jogar no Flamengo. A ideia dele era montar um time supervitoriososo onde eu seria o centro avante.

7) Quem lhe deu o apelido de "artilheiro das decisões"? Você lembra quando isso ocorreu?
Foi Galvão Bueno em 1981 quando estávamos concentrados no Hotel Lafayete.

8) Qual o jogo mais marcante de sua carreira?
Foram dois jogos : decisão do Campeonato Brasileiro de 1980 – Flamengo 3 x 2 Atlético MG quando fiz dois gols e o último foi aos 43 minutos do segundo tempo e na decisão do Campeonato Mundial de Clubes – Flamengo 3 x 0 Liverpool onde também fiz dois gols. Ambos com o passe do Zico.

9) Poucos lembram, mas você foi artilheiro do campeonato mineiro de 1896 pelo Atlético Mineiro. Como foi recebido depois de tantos gols feitos pelo Flamengo em Belo Horizonte? E por que ficou tão pouco tempo no Atlético com este ótimo desempenho?
Eu fui o maior artilheiro do Mineirão. Estava em uma excelente fase e o Atlético MG me vendeu para Portugal devido a uma proposta irrecusável para os padrões da época.

10) Você se arrepende da associação de sua imagem com a de Edmundo Santos Silva, o único presidente afastado do Flamengo?
Sempre tive um bom relacionamento com todos os presidentes e respeito todos eles. O meu maior objetivo é ser presidente do Flamengo.

11) Você tentou a carreira política. Como foi a experiência neste ramo? 
Ocupei vários cargos: primeiro suplente de deputado, assessor Ministro do Esporte no governo Lula, assessor de Lindbergh Farias e assessor de prefeito de Macaé Reverto. É uma boa experiência que ainda tenho de sedimentar mais.